NÚMEROS DO CONGRESSO: 1 tema geral - "Fomento e Valorização do Voluntariado"; 16 teses; 300 congressistas; 4 delegações estrangeiras (Alemanha Federal, Bélgica, Espanha e França); 2 listas candidatas aos corpos gerentes da Liga dos Bombeiros Portugueses; Mais de 2 mil bombeiros e duas centenas e meia de viaturas no desfile de encerramento (80 ambulâncias e duas centenas de viaturas de incêndio e de socorro a náufragos).













Apresentação da Exposição
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"(...) as Corporações do Distrito de Aveiro (um Distrito com gente briosa e dedicada que sempre caprichou e capricha em realizar trabalho válido e sério) tem vindo a actuar, sem descanso, desde há meses, sob a orientação do Presidente da Mesa dos Encontros Distritais de Direcções, um autêntico Comandante (ainda sem farda, como ele gosta de dizer), um homem fora de série e alma 'mater' da organização, pelo êxito do Congresso - 70, o Congresso da reviravolta (leia-se reforma) ou da renovação, como se lhe queira chamar."


In Litoral, 1 de Maio de 1970




"Depois do congresso de Aveiro (1970) e da alteração de regime resultante da Revolução de 25 de Abril de 1974 começaram, finalmente, a surgir sinais de mudança a nível da estrutura do Estado e a primeira vitória veio com a criação do Conselho Coordenador do Serviço de Bombeiros, que esteve em funções desde 1979 a 13 de Fevereiro de 1981, data em que reuniu pela primeira vez o Conselho Superior de Bombeiros, criado pelo Decreto-Lei n.º 418/80, de 29 de Setembro."


Eng.º José António da Piedade Laranjeira
Ex-Presidente do Serviço Nacional de Bombeiros
In I Encontro Nacional sobre a História dos Bombeiros Portugueses, 1999









Cronologia | 1969-1980



25 de Janeiro de 1969 - O Dr. Lúcio Lemos, Comandante dos Bombeiros Privativos da Celulose - Cacia, redige um artigo intitulado "Prolegómenos de um Congresso em Aveiro", dado à estampa no semanário Litoral, periódico dirigido pelo Dr. David Cristo.

22 de Março de 1969 - Em reunião dos Bombeiros do Distrito de Aveiro, realizada no quartel-sede dos Bombeiros Voluntários de Arrifana, o Eng.º Alberto Branco Lopes, Presidente da Direcção dos Bombeiros Velhos de Aveiro, alerta para a necessidade da recolha de elementos tendentes à organização do Congresso, bem como da urgente marçação da data de realização do mesmo.

25 de Abril de 1970 - Marcação do Congresso para o período de 9 a 13 de Setembro do mesmo ano, em reunião entre os Bombeiros do Distrito de Aveiro e a Liga dos Bombeiros Portugueses, representada pelo seu Presidente, António de Moura e Silva. A reunião tem lugar na sala das sessões da Câmara Municipal de Aveiro.

30 de Abril de 1970 - O Presidente da Mesa dos Congressos, Eng.º Russo Belo, convoca, nos termos dos Estatutos da Liga dos Bombeiros Portugueses, a reunião do Congresso ordinário e extraordinário, com início no dia 9 de Setembro de 1970, pelas 21 horas, em Aveiro.

9 de Setembro de 1970 - Abertura do Congresso em Aveiro.
Pela primeira vez, uma reunião magna da Liga dos Bombeiros Portugueses reúne subordinada a um tema geral: "Fomento e Valorização do Voluntariado".

10 de Setembro de 1970 - José Acúrcio da Silva Júnior, Presidente dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha, na apresentação da tese "Rumos novos para o voluntariado. Um contributo para o seu estado", expressa, a dado momento, "estar a Liga dos Bombeiros Portugueses minada pela erosão do tempo". O Presidente da confederação, António de Moura e Silva, reage energicamente, manifestando-se discordante. Alguns congressistas acusam também a sua discordância e fazem constar que depositam a maior confiança nos dirigentes em exercício.

11 de Setembro de 1970 - O Dr. David Cristo apresenta a tese "Palavras com vista à criação de um organismo superior e autónomo". Critica a actuação do Conselho Nacional do Serviço de Incêndios, o que dá origem a que o Inspector de Incêndios da Zona Sul, Coronel Rogério Cansado, com assento na mesa de trabalhos, se ausente da mesma e abandone a sala das sessões do Congresso.
Na mesma ocasião, D. Manuel de Almeida Trindade, Bispo de Aveiro, apresenta a tese "A prestação gratuita dos serviços na perspectiva cristã". É a primeira vez que tal se sucede, num congresso de bombeiros, por parte de um alto responsável da Igreja Católica portuguesa.

12 de Setembro de 1970 - Em termos de conclusões, o Congresso defere à Liga dos Bombeiros Portugueses a incumbência de elaborar um relatório, a apresentar superiormente, em que se justifique e solicite a criação, a nível dos comandos nacionais, de um organismo específico, autónomo e permanente , com directa jurisdição na dinâmica dos bombeiros portugueses.
São eleitos os corpos gerentes para o biénio de 1971-1972. Apresentam-se a sufrágio duas listas: uma encabeçada pelo Eng.º Lourenço Antunes, Presidente da Direcção e Comandante dos Bombeiros Voluntários de Campo de Ourique, entendida como lista oficial, e outra, surgida, surpreendentemente, liderada por António de Moura e Silva, que vence as eleições.

13 de Setembro de 1970 - Encerramento do Congresso.

28 de Setembro a 1 de Outubro de 1972 - Realiza-se em Viseu o XX Congresso dos Bombeiros Portugueses.
A saturação parece ser bastante, porquanto da parte do Governo, passados dois anos sobre a reunião magna de Aveiro, a solicitação da Liga dos Bombeiros Portugueses não surtiu qualquer efeito.
Os Bombeiros do Distrito de Aveiro voltam a marcar posição de relevo, quer através da apresentação de nove das 14 teses em apreciação, quer por intermédio do Dr. David Cristo, que se manifesta desconfiante quanto à autoridade da confederação.
Por sua vez, António de Moura e Silva informa o congresso que o Ministro do Interior lhe havia dado a informação de que os assuntos apresentados se encontravam em estudo.
Na tentativa de deixar a presidência, António de Moura e Silva, em exercício de funções desde 1955, convida o Dr. Lúcio Lemos, Comandante dos Bombeiros Privativos da Celulose - Cacia, para encabeçar a lista candidata ao biénio de 1973-1974, o que não é aceite, vendo-se aquele dirigente forçado a permanecer na liderança da confederação.

31 de Outubro a 3 de Novembro de 1974 - Decorre em Lisboa o XXI Congresso Nacional dos Bombeiros Portugueses.
Os congressistas decidem e voltam a apresentar ao Governo as conclusões de três dias de trabalho, prevendo estas a criação dum organismo nacional de socorrismo.
Vive-se um clima de nova esperança, alimentado pelos acontecimentos do 25 de Abril e que converteram o país num regime democrático.
Elegem-se novos corpos gerentes da Liga dos Bombeiros Portugueses: Dr. David Cristo, Presidente da Mesa dos Congressos; Padre Dr. Vítor Melícias Lopes, Presidente do Conselho Administrativo e Técnico; Dr. Lúcio Lemos, Presidente do Conselho Fiscal.
António de Moura e Silva retira-se, sendo mais tarde proclamado Presidente Honorário.
A Liga passa a participar, a título de entidade convidada, nas reuniões do Conselho Nacional dos Serviços de Incêndios, onde o seu representante, o Padre Dr. Vítor Melícias Lopes, tem a oportunidade de intervir e expor os problemas que há muito afectam o sector.

1 de Junho de 1976 - É criada, por despacho ministerial do Ministério da Administração Interna, a Comissão de Reestruturação do Serviço Nacional de Incêndios, com vista a apresentar um projecto de organização dos corpos de bombeiros a nível nacional.

8 de Agosto de 1976 - Nomeada a Comissão de Reestruturação do Serviço de Incêndios. Nela figuram: Dr. David Cristo, Padre Dr. Vítor Melícias Lopes, Eng.º Alberto Dionísio Branco Lopes, Comandante Armando Matos Fernandes, Comandante Capitão Dr. José Maria das Neves Cruz e Santos.

1 a 5 de Setembro de 1976 - Tem lugar, na cidade da Guarda, o XXII Congresso Nacional dos Bombeiros Portugueses.
Uma conclusão geral destaca-se, em grande, como autêntico ultimato ao Governo: "Apresentar de novo, e pela última vez, ao Governo as conclusões dos mais recentes Congressos sobre a necessidade imediata da criação de um verdadeiro serviço Nacional de socorrismo e sobre as orientações que ao mesmo devem ser imprimidas, nomeadamente no que respeita à preservação e dignificação do voluntariado, ao papel que nesse serviço deve ser atribuído aos bombeiros, à sistematização da sua estrutura e as formas de participação financeira do Estado."

3 a 8 de Setembro de 1978 - No Estoril, reúne o XXIII Congresso Nacional dos Bombeiros Portugueses.
A reestruturação do Serviço de Incêndios tarda em concretizar-se. Por mandato expresso pelo Congresso, é constituída uma comissão investida de transmitir ao Presidente da República "a firme demonstração dos bombeiros portugueses de ver resolvido este problema que entendem prioritário e de adoptar para o efeito as soluções que julgarem mais convenientes".

9 de Dezembro de 1978 - É publicado o Decreto-Lei n.º 388/78, que cria o Conselho Coordenador do Serviço de Bombeiros, mas o documento contraria os princípios acordados entre o Governo e a Liga dos Bombeiros Portugueses. Instala-se a polémica, da qual a imprensa dá eco e que se estende à Assembleia da República. Deputados dos partidos com assento no hemiciclo, colocam-se ao lado dos bombeiros portugueses e pedem a ratificação do decreto-lei, contemplando a "criação do Serviço Nacional de Bombeiros, criação da Escola Nacional do Fogo, solução do problema do seguro de pessoas e viaturas, atribuição ao Conselho Coordenador do SNB de competências para homologar a constituição de corpos de bombeiros e equipará-los aos conselhos administrativos dos organismos dotados de autonomia administrativa". O assunto transita para uma comissão parlamentar.

25 de Janeiro de 1979 - É proposta à Assembleia da República a criação do Serviço Nacional de Bombeiros, com capacidade técnica e competência tutelar para apoiar os corpos de bombeiros e coordenar, a nível do sector, as suas diversas actividades.

8 de Fevereiro de 1979 - Aprovada em votação final global a ratificação do Decreto-Lei n.º 388/78.

10 de Março de 1979 - É publicada a Lei n.º 19/79, que cria oficialmente o Serviço Nacional de Bombeiros, "com atribuições de orientar e coordenar as actividades e serviços de socorro exercidas pelos corpos de bombeiros e assegurar a articulação, em caso de emergência, com o Serviço Nacional de Protecção Civil".

29 de Setembro de 1980 – É publicado o Decreto-Lei n.º 418/80, elevado a Lei Orgânica do Serviço Nacional de Bombeiros. Antes, porém, em 9 de Julho, surge o Decreto-Lei n.º 212/80.
No seguimento da publicação dos dois decretos, o Padre Dr. Vítor Melícias Lopes, ao tempo Presidente do Conselho Administrativo e Técnico da Liga dos Bombeiros Portugueses, cessa funções para assumir, a convite do Governo, a presidência do Conselho Coordenador do Serviço Nacional de Bombeiros.
A legislação entretanto publicada não só tem a vantagem de lançar as bases legislativas e administrativas do sector dos bombeiros como soluciona problemas pontuais de maior impacto: imposto de transacções, subsídios para quartéis, seguros e participação em combustíveis.
Há confiança no futuro, perante as novas possibilidades. Salda-se, como positivo, o esforço despendido nos congressos realizados desde 1970.

Apresentação



No ano em que se completa o 40.º aniversário da realização do XIX Congresso dos Bombeiros Portugueses na cidade de Aveiro, FOGO & HISTÓRIA apresenta uma exposição evocativa daquela reunião magna, concebida a partir da pesquisa de vários elementos que, cremos bem, justificam a importância atribuída, até hoje, a tão memorável fórum de discussão.

Fazemo-lo num acto de cidadania participativa e responsável, bem como de justa homenagem aos Bombeiros do Distrito de Aveiro, vulgo BDA, e aos seus mentores, que revelando ao tempo uma dinâmica desusada entre os demais bombeiros do país, no tocante à união de princípios e de acção - características, aliás, que frutificaram até aos nossos dias - rasgaram novos horizontes e desbravaram caminho àquela que foi, posteriormente, a mais bem conseguida conquista de sempre dos bombeiros portugueses: a criação do Serviço Nacional de Bombeiros (SNB), de cuja existência despontaram importantes coordenadas de progresso - de inquestionáveis repercussões na dignificação e melhoria do socorrismo confiado a bombeiros.

Fiéis à legenda, "Nós queremos ser um só para melhor servir a todos", os BDA agiram numa clara demonstração de solidariedade para com os demais bombeiros do país, uma vez que a tese apresentada no Congresso, pela douta palavra do Dr. David Cristo, Presidente da Direcção da Companhia de Salvação Pública "Guilherme Gomes Fernandes", de Aveiro (Bombeiros Novos), visando "a criação, a nível dos altos comandos nacionais, de um organismo específico, autónomo e permanente, com directa jurisdição na orgânica e na dinâmica dos bombeiros portugueses", teve como objecto o todo nacional, extrapolando os limites do distrito.

Porém não se livraram de incompreensões. A atitude sui generis que sempre assumiram na defesa dos interesses do sector encontrou, por vezes, resistência à mudança, vendo alguns, nos BDA, uma autêntica ameaça para a união dos bombeiros portugueses em torno da sua confederação, a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP). Este facto está, de resto, subjacente em passagens de textos assinados por dirigentes da época, nomeadamente no que se refere ao princípio defendido pelos Bombeiros do Distrito de Aveiro sobre a utilidade dos congressos enquanto encontros de trabalho e não apenas como jornadas de confraternização, o que vinha acontecendo, quase de modo exclusivo, por via de regra.

"Devo referir que não foi fácil até porque a contra-informação, que sempre surge quando se começa a ver as coisas a mexer e a apontar para alterações de base, não indiciava 'nada de bom' para o Congresso", recorda, a propósito, o Eng.º José António da Piedade Laranjeira, ao tempo Comandante dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha, mais tarde Presidente da Direcção do SNB, um dos "Onze Magníficos" da Comissão Central Organizadora da reunião magna, em trabalho apresentado aquando do II Encontro Nacional sobre a História dos Bombeiros Portugueses (Coimbra, 27 de Outubro de 2001).

O Congresso de Aveiro marca, sem dúvida, uma nova era em termos de pensamento, motivado pelo surgimento de um punhado de novos dirigentes e comandantes, ousados, visionários e inovadores, facto inclusive reflectido no próprio léxico utilizado em muita da documentação referente ao Congresso, assim como nas sessões de trabalho deste.

Mas marca, também, em nome do bom rigor histórico, o princípio do declínio de um ciclo de dirigismo da LBP, cultor de certo conservadorismo, sedimentado numa acção que parecia mais de vocação doutrinária, à luz de feitos gloriosos de um passado e de uma realidade cada vez mais longínqua, do que propriamente de efectiva intervenção na resolução dos problemas pendentes dos bombeiros portugueses.

À margem destes aspectos e para melhor compreensão das causas e efeitos do Congresso, é indispensável, do ponto de vista da interpretação histórica, situá-lo no tempo, isto é, contextualizando-o ao nível dos bombeiros portugueses e da realidade política e social do país.

A nível geral, os bombeiros portugueses, embora muito apreciados pela sua generosidade, não recebiam da parte do Estado, na devida dimensão de reconhecimento, o apoio que mereciam, vendo-se configurados num cenário de subsidiariedade e de autêntico miserabilismo, exceptuando uma ou outra associação/corpo de bombeiros que se apresentava mais desenvolvida, mercê do apoio de beneméritos ou da influência de alguns dos seus responsáveis nas esferas do poder.

Por seu turno, o voluntariado vivia uma situação de falta de efectivos, motivada pelo abandono forçado dos jovens que haviam sido mobilizados para a guerra em África, pois apesar das diligências da Liga dos Bombeiros Portugueses junto do Governo, no sentido de os bombeiros em idade de cumprimento do serviço militar serem dispensados do mesmo por já se encontrarem ao serviço da pátria, tal nunca foi atendido, acarretando sérios prejuízos para a manutenção da operacionalidade dos corpos de bombeiros, tema ao qual se subordinou a tese apresentada pelo Tenente França de Sousa, Comandante dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses.

Politicamente, o país vivia em ditadura, embora aparentando alguma flexibilidade no discurso político, a começar pelo novo Presidente do Conselho, Marcello Caetano, que alimentava uma esperança de mudança, sobretudo àqueles que não se reviam na situação vigente. Eram ainda os efeitos da chamada "Primavera Marcelista".

O Estado Novo fragilizara-se, quer com a decadência das suas políticas, quer através da manutenção da guerra em territórios ultramarinos, o que colocava Portugal, a nível exterior, num plano pouco favorecido. Para além disso, morrera, em 27 de Julho do mesmo ano, António de Oliveira Salazar, ex-Presidente do Conselho, e com ele desaparecera, também, grande parte dos valores do regime.

Como nota ainda importante, saliente-se a tradição de Aveiro na realização de congressos, mormente os de inspiração política de oposição à ditadura, de que são exemplo os Congressos Republicanos (também conhecidos por Congressos da Oposição Democrática), de 1957, 1969 e 1973, que agitaram a vida política nacional, pelo carácter das teses neles apresentadas e de outras comunicações.

Parafraseando o Movimento Adoro Aveiro, em texto publicado no respectivo sítio, "existe uma marca histórica indelével da identidade dos aveirenses. No período cinzento e sem abertura que foi o salazarismo, esta cidade tornou-se o epicentro de reunião e reflexão das correntes que se opunham ao regime autoritário. Os três congressos republicanos... foram momentos essenciais na luta contra a ditadura e o rosto de quem pensava diferente, momentos que proporcionaram o encontro, a troca de ideias e a união de quem queria construir um Estado verdadeiramente democrático em Portugal".

Mal comparado - e política à parte - no Congresso de Aveiro - 70, também assim aconteceu!


Luís Miguel Baptista
Jornalista

Textos



BOMBEIROS

CONGRESSO/70

AGORA OU NUNCA



Lúcio Lemos

Comandante dos Bombeiros Privativos da Companhia Portuguesa de Celulose - Cacia
(Texto publicado no Boletim Comemorativo do XIX Congresso dos Bombeiros Portugueses)


Aveiro - cidade por muitos considerada de forma vincada e inequivocamente elogiosa, como a "Cidade dos Congressos" - vai ser o cenário unanimemente escolhido para a realização do XIX Congresso dos Bombeiros Portugueses.

Não é por demais repetir e realçar que, se por um lado, o estatutário , o Congresso não é mais nem menos do que uma Assembleia Geral da Liga (ou Confederação) dos Bombeiros Portugueses, por outro, bem mais significativo, sem dúvida, o Congresso é o palco onde são (ou deviam ser) apresentadas teses e discutidos problemas de cujas conclusões se admitem e se desejam soluções práticas, reflexos válidos para os humanitários temas em causa. Até agora, "já lá vão" 18 Congressos realizados nas mais diversas localidades do País.

Esses 18 Congressos constituíram outras tantas assembleias magnas em que, acima de tudo, prevaleceram (ou acabaram por constituir exclusivo motivo) as manifestações de camaradagem e confraternização entre todos os elementos que formam uma verdadeira família, como é, ninguém o ignora, a família dos Bombeiros.

No entanto, e ainda que louváveis e dignas de prosseguimento, essas manifestações, esses importantes aspectos de confraternização e convívio estão longe, muito longe mesmo, de constituírem , só por si, a verdadeira finalidade do Congresso, pois que um Congresso de Bombeiros só será efectivamente um Congresso se dele se extraírem conclusões válidas e sérias que permitam, por sua vez, obter junto das entidades superiores as soluções mais justas e adequadas em relação a cada uma e a todas as conclusões apresentadas.

Os Bombeiros do nosso País (e em particular os pertencentes aos 300 e muitos corpos de Bombeiros Voluntários que, a bem do semelhante, tudo fazem com a maior humildade, sem basófias, sem esperar benesses ou prémios de trabalho) nada têm a estimulá-los do que a consciência do dever cumprido sem cuidarem sequer de saber quem são como sentem e pensão quantos (e tantos são) que em qualquer momento necessitam dos seus serviços.

Numa época domina (e minada) por um materialismo cada vez mais desenfreado, o Bombeiro que, com risco da própria vida, tão desinteressada e abnegadamente defende a vida e bens do próximo, é, como alguém disse, "um verdadeiro símbolo de generosidade e solidariedade humanas".

Por todas estas razões, é indispensável que os nossos governantes "conheçam melhor os seus Bombeiros para necessariamente mais e melhor os poderem compreender, amar, proteger e ajudar".

É neste sentido, é no sentido de que os nossos governantes conheçam melhor os problemas que afligem o tão sacrificado voluntariado , que as Corporações de Bombeiros do Distrito de Aveiro, a quem coube toda a organização do Congresso/70, desenvolveram notável actividade, sob a orientação do presidente da Mesa dos Encontros Distritais de Direcções, dr. David Cristo (o "Messias do Congresso de Aveiro" como já foi cognominado), por forma a que o Congresso/70 atinja, em todos os aspectos, o nível que se ambiciona.

Essa constante e entusiástica actividade é absoluta garantia duma "realização válida, prática e proveitosa".

As teses subordinadas ao tema geral do Congresso - "fomento e valorização do voluntariado" - vão ter, com toda a certeza, a devida receptividade a nível oficial ("não viramos a cara aos problemas reais e fazemos o possível, sem poupar tempo nem energias, por encontrar fórmulas razoáveis para os resolver", disse o Prof. Marcello Caetano), pelo que reina a maior esperança e optimismo quanto à resolução por forma positiva dos múltiplos problemas que atrofiam, em todos os campos, a acção dos Bombeiros.

O prestigioso presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António de Moura e Silva, afirmou, no decorrer duma reuniões preparatórias do Congresso, que "acredita em Aveiro, terra liberal, de homens livres e válidos, e no seu Congresso".

Nós que conhecemos bem o bairrismo, o brio, a audácia das gentes do cada vez mais progressivo distrito de Aveiro e que, além disso, sabemos que a justiça e a razão estão de braço dado com os bombeiros, também acreditamos por tal forma que, quanto aos tais resultados positivos que se esperam e se desejam, atrevemo-nos a dizer que, se não for agora, nunca mais se obtêm.



Adaptado dum artigo publicado em O Comércio do Porto, de 15 de Maio de 1970

Documentos



Na foto:
O tenente França de Sousa, comandante dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses, no momento da apresentação da sua tese - "Idade de recrutamento e seus reflexos na vida das Corporações"





"O conjunto de teses marcou como um repositório de magníficos trabalhos, todos eles se equivalendo em valor técnico e de observação atenta e estudiosa dos vários casos que rodeiam a vida das corporações, mas mais ainda no aspecto técnico do fogo e nas várias observações que mereceram ser discutidas e apreciadas em favor do serviço de incêndios.
Sem desprimor para quantos congressos se têm efectuado, o de Aveiro reuniu um dos mais valiosos lotes de trabalhos que têm sido
apresentados pelos congressistas. E com elevação, também sem desmerecer das anteriores reuniões dos bombeiros em Portugal."
In Boletim da Liga dos Bombeiros Portugueses, Março-Abril/Maio-Junho 1971




"Palavras com vista à criação de um organismo superior e autónomo"
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"Acidentes de viação e outros"
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"Idade de recrutamento e seus reflexos na vida das Corporações"
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"Impostos"
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Interactividade












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Cedência de Conteúdos



Recordando o Congresso de Aveiro - 70 e as suas incidências na história recente dos bombeiros em Portugal, FOGO & HISTÓRIA apresenta a Exposição Evocativa dos 40 anos do XIX Congresso dos Bombeiros Portugueses, a partir da reunião de vários elementos distribuídos por painéis temáticos.

Os visitantes que possam ter em seu poder fotografias ou outras peças documentais alusivas ao Congresso de Aveiro - 70 e que estejam na disposição de partilhá-las e, como tal, cedê-las para o espaço de Exposição Temporária, poderão fazê-lo enviando as respectivas digitalizações através do seguinte endereço electrónico: fogo.historia@gmail.com

O referido envio deverá mencionar, obrigatoriamente, identificação (singular ou colectiva), autorização para publicação e breve descrição tendente à elaboração de legendagem.

FOGO & HISTÓRIA reserva-se a não publicar material recepcionado que considere desenquadrado do âmbito e/ou princípios da exposição.

A iniciativa, objectivada por assinalar um marco histórico e homenagear todos aqueles que para ele contribuíram, terá tanto ou mais significado quanto maior fôr o número de colaboração/participação cívica.

CONGRESSO AVEIRO - 70 estará patente no período de 30 de Abril a 13 de Setembro, o qual medeia a data da convocação e o último dia do XIX Congresso dos Bombeiros Portugueses.
Referências de Imprensa



Ficha Técnica


Título:
Congresso Aveiro - 70 | 1970-2010 | Exposição Evocativa dos 40 Anos

Autoria:
Fogo & História/Luís Miguel Baptista

Colaboração:
Coronel João Carlos Albuquerque Pinto - Presidente da Direcção da Associação Humanitária de Bombeiros Guilherme Gomes Fernandes - Bombeiros Novos de Aveiro

Tenente Coronel José Francisco do Rio França de Sousa - Comandante do Quadro de Honra dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses e Vice-Presidente do Conselho de Administração Executivo da REVIVER MAIS | Associação dos Operacionais e Dirigentes dos Bombeiros Portugueses

Victor Manuel Nogueira Neto - Ex-Conservador do Museu Júlio Cardoso, da Liga dos Bombeiros Portugueses, e Investigador dos temas Bombeiros e Incêndios

José Alfredo Almeida - Presidente da Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua e Presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Vila Real

Nelson Nóbrega Soares/Família do Comandante Armando Cardoso Soares

Luís Silva - Bombeiros Velhos de Aveiro


Fontes documentais:

Boletim da Liga dos Bombeiros Portugueses

Boletim do XIX Congresso dos Bombeiros Portugueses

Jornal O Comércio do Porto

Jornal Diário Popular

Jorna O Século

Jornal Litoral

Jornal Bombeiros de Portugal

Aveiro e o seu Distrito – Publicação Semestral da Junta Distrital de Aveiro

Livro 75 Anos a Construir Futuro - Liga dos Bombeiros Portugueses

Actas do I Encontro Nacional sobre a História dos Bombeiros Portugueses

Actas do II Encontro Nacional sobre a História dos Bombeiros Portugueses

Câmara Municipal de Aveiro

Aveirana – Serviços de Documentação da Universidade de Aveiro

Arquivo Municipal de Lisboa/Arquivo Fotográfico

Hemeroteca Municipal de Lisboa

Arquivo da Associação Humanitária de Bombeiros Guilherme Gomes Fernandes - Bombeiros Novos de Aveiro

Arquivo Histórico da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua

Colecção Particular de Victor Manuel Nogueira Neto

www.prof2000.pt



Corpos Gerentes da Liga dos Bombeiros Portugueses
eleitos no XIX Congresso dos Bombeiros Portugueses*

Biénio 1971-1972



Mesa dos Congressos


Presidente - Eng.º Francisco Baptista Russo Belo (Comandante dos BV Matosinhos-Leça)

Vice-Presidente - Eng.º Pedro Fernando de Albuquerque Barbosa (Bombeiros Voluntários Portuenses)

1.º Secretário - Eng.º José de Oliveira e Silva (Comandante dos BV Leixões)

2.º Secretário - José Dias Cara Nova (Comandante dos BV Beja)



Conselho Fiscal


Bombeiros Voluntários de Riba de Ave
Representados por Comandante António de Amorim

Bombeiros Voluntários de Arrifana
Representados por Comandante Manuel Augusto Rodrigues de Amorim

Bombeiros Voluntários de Barcelos
Representados por Comandante Manuel Pereira da Quinta Júnior


Suplente

Bombeiros Voluntários de Seia
Representados por Comandante Manuel Toscano Pessoa



Conselho Administrativo e Técnico


Presidente - António de Moura e Silva (Sócio Ordinário)

Vice-Presidente - Fernando Nunes (Bombeiros Voluntários de Carcavelos)

1.º Secretário - Fernando de Almeida (Sócio Ordinário)

2.º Secretário - Fernando Mata da Costa Gaspar (Bombeiros Voluntários de Sesimbra)

Tesoureiro - Germano Dias (Bombeiros Voluntários de Oeiras)


Suplentes

Manuel Toscano Pessoa (Bombeiros Voluntários de Seia)

Carlos Martins (Bombeiros Voluntários de Esposende)

Gilberto Duarte e Duarte (Bombeiros Voluntários da Parede)

José Fernando Cova Gonçalves (Bombeiros Voluntários de Rio Maior)

Carlos Santos (Bombeiros Voluntários de Peso da Régua)



*de acordo com o publicado na época

Exposição Temporária



Jornal Vida por Vida, da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua, Agosto de 1970









Jornal Vida por Vida, da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua, Setembro de 1970







Estatística



O universo dos bombeiros portugueses em 1970*


Total de corporações: 369 corporações, das quais 337 de voluntários

Na Metrópole: 340 corporações (2 de sapadores, 23 de municipais, 315 de voluntários, incluindo-se nestas últimas 13 de privativos)

Nas Ilhas Adjacentes: 12 corporações (4 de municipais, 8 de voluntários)

No Ultramar: 17 corporações (3 de municipais, 14 de voluntários, incluindo-se nestas últimas 2 de privativos)

Efectivos: 15.850 homens, dos quais 13.630 voluntários



*segundo estimativa ao tempo realizada pela Liga dos Bombeiros Portugueses