25 de Janeiro de 1969 - O Dr. Lúcio Lemos, Comandante dos Bombeiros Privativos da Celulose - Cacia, redige um artigo intitulado "Prolegómenos de um Congresso em Aveiro", dado à estampa no semanário
Litoral, periódico dirigido pelo Dr. David Cristo.
22 de Março de 1969 - Em reunião dos Bombeiros do Distrito de Aveiro, realizada no quartel-sede dos Bombeiros Voluntários de Arrifana, o Eng.º Alberto Branco Lopes, Presidente da Direcção dos Bombeiros Velhos de Aveiro, alerta para a necessidade da recolha de elementos tendentes à organização do Congresso, bem como da urgente marçação da data de realização do mesmo.
25 de Abril de 1970 - Marcação do Congresso para o período de 9 a 13 de Setembro do mesmo ano, em reunião entre os Bombeiros do Distrito de Aveiro e a Liga dos Bombeiros Portugueses, representada pelo seu Presidente, António de Moura e Silva. A reunião tem lugar na sala das sessões da Câmara Municipal de Aveiro.
30 de Abril de 1970 - O Presidente da Mesa dos Congressos, Eng.º Russo Belo, convoca, nos termos dos Estatutos da Liga dos Bombeiros Portugueses, a reunião do Congresso ordinário e extraordinário, com início no dia 9 de Setembro de 1970, pelas 21 horas, em Aveiro.
9 de Setembro de 1970 - Abertura do Congresso em Aveiro.
Pela primeira vez, uma reunião magna da Liga dos Bombeiros Portugueses reúne subordinada a um tema geral: "Fomento e Valorização do Voluntariado".
10 de Setembro de 1970 - José Acúrcio da Silva Júnior, Presidente dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha, na apresentação da tese "Rumos novos para o voluntariado. Um contributo para o seu estado", expressa, a dado momento, "estar a Liga dos Bombeiros Portugueses minada pela erosão do tempo". O Presidente da confederação, António de Moura e Silva, reage energicamente, manifestando-se discordante. Alguns congressistas acusam também a sua discordância e fazem constar que depositam a maior confiança nos dirigentes em exercício.
11 de Setembro de 1970 - O Dr. David Cristo apresenta a tese "Palavras com vista à criação de um organismo superior e autónomo". Critica a actuação do Conselho Nacional do Serviço de Incêndios, o que dá origem a que o Inspector de Incêndios da Zona Sul, Coronel Rogério Cansado, com assento na mesa de trabalhos, se ausente da mesma e abandone a sala das sessões do Congresso.
Na mesma ocasião, D. Manuel de Almeida Trindade, Bispo de Aveiro, apresenta a tese "A prestação gratuita dos serviços na perspectiva cristã". É a primeira vez que tal se sucede, num congresso de bombeiros, por parte de um alto responsável da Igreja Católica portuguesa.
12 de Setembro de 1970 - Em termos de conclusões, o Congresso defere à Liga dos Bombeiros Portugueses a incumbência de elaborar um relatório, a apresentar superiormente, em que se justifique e solicite a criação, a nível dos comandos nacionais, de um organismo específico, autónomo e permanente , com directa jurisdição na dinâmica dos bombeiros portugueses.
São eleitos os corpos gerentes para o biénio de 1971-1972. Apresentam-se a sufrágio duas listas: uma encabeçada pelo Eng.º Lourenço Antunes, Presidente da Direcção e Comandante dos Bombeiros Voluntários de Campo de Ourique, entendida como lista oficial, e outra, surgida, surpreendentemente, liderada por António de Moura e Silva, que vence as eleições.
13 de Setembro de 1970 - Encerramento do Congresso.
28 de Setembro a 1 de Outubro de 1972 - Realiza-se em Viseu o XX Congresso dos Bombeiros Portugueses.
A saturação parece ser bastante, porquanto da parte do Governo, passados dois anos sobre a reunião magna de Aveiro, a solicitação da Liga dos Bombeiros Portugueses não surtiu qualquer efeito.
Os Bombeiros do Distrito de Aveiro voltam a marcar posição de relevo, quer através da apresentação de nove das 14 teses em apreciação, quer por intermédio do Dr. David Cristo, que se manifesta desconfiante quanto à autoridade da confederação.
Por sua vez, António de Moura e Silva informa o congresso que o Ministro do Interior lhe havia dado a informação de que os assuntos apresentados se encontravam em estudo.
Na tentativa de deixar a presidência, António de Moura e Silva, em exercício de funções desde 1955, convida o Dr. Lúcio Lemos, Comandante dos Bombeiros Privativos da Celulose - Cacia, para encabeçar a lista candidata ao biénio de 1973-1974, o que não é aceite, vendo-se aquele dirigente forçado a permanecer na liderança da confederação.
31 de Outubro a 3 de Novembro de 1974 - Decorre em Lisboa o XXI Congresso Nacional dos Bombeiros Portugueses.
Os congressistas decidem e voltam a apresentar ao Governo as conclusões de três dias de trabalho, prevendo estas a criação dum organismo nacional de socorrismo.
Vive-se um clima de nova esperança, alimentado pelos acontecimentos do 25 de Abril e que converteram o país num regime democrático.
Elegem-se novos corpos gerentes da Liga dos Bombeiros Portugueses: Dr. David Cristo, Presidente da Mesa dos Congressos; Padre Dr. Vítor Melícias Lopes, Presidente do Conselho Administrativo e Técnico; Dr. Lúcio Lemos, Presidente do Conselho Fiscal.
António de Moura e Silva retira-se, sendo mais tarde proclamado Presidente Honorário.
A Liga passa a participar, a título de entidade convidada, nas reuniões do Conselho Nacional dos Serviços de Incêndios, onde o seu representante, o Padre Dr. Vítor Melícias Lopes, tem a oportunidade de intervir e expor os problemas que há muito afectam o sector.
1 de Junho de 1976 - É criada, por despacho ministerial do Ministério da Administração Interna, a Comissão de Reestruturação do Serviço Nacional de Incêndios, com vista a apresentar um projecto de organização dos corpos de bombeiros a nível nacional.
8 de Agosto de 1976 - Nomeada a Comissão de Reestruturação do Serviço de Incêndios. Nela figuram: Dr. David Cristo, Padre Dr. Vítor Melícias Lopes, Eng.º Alberto Dionísio Branco Lopes, Comandante Armando Matos Fernandes, Comandante Capitão Dr. José Maria das Neves Cruz e Santos.
1 a 5 de Setembro de 1976 - Tem lugar, na cidade da Guarda, o XXII Congresso Nacional dos Bombeiros Portugueses.
Uma conclusão geral destaca-se, em grande, como autêntico ultimato ao Governo: "Apresentar de novo, e pela última vez, ao Governo as conclusões dos mais recentes Congressos sobre a necessidade imediata da criação de um verdadeiro serviço Nacional de socorrismo e sobre as orientações que ao mesmo devem ser imprimidas, nomeadamente no que respeita à preservação e dignificação do voluntariado, ao papel que nesse serviço deve ser atribuído aos bombeiros, à sistematização da sua estrutura e as formas de participação financeira do Estado."
3 a 8 de Setembro de 1978 - No Estoril, reúne o XXIII Congresso Nacional dos Bombeiros Portugueses.
A reestruturação do Serviço de Incêndios tarda em concretizar-se. Por mandato expresso pelo Congresso, é constituída uma comissão investida de transmitir ao Presidente da República "a firme demonstração dos bombeiros portugueses de ver resolvido este problema que entendem prioritário e de adoptar para o efeito as soluções que julgarem mais convenientes".
9 de Dezembro de 1978 - É publicado o Decreto-Lei n.º 388/78, que cria o Conselho Coordenador do Serviço de Bombeiros, mas o documento contraria os princípios acordados entre o Governo e a Liga dos Bombeiros Portugueses. Instala-se a polémica, da qual a imprensa dá eco e que se estende à Assembleia da República. Deputados dos partidos com assento no hemiciclo, colocam-se ao lado dos bombeiros portugueses e pedem a ratificação do decreto-lei, contemplando a "criação do Serviço Nacional de Bombeiros, criação da Escola Nacional do Fogo, solução do problema do seguro de pessoas e viaturas, atribuição ao Conselho Coordenador do SNB de competências para homologar a constituição de corpos de bombeiros e equipará-los aos conselhos administrativos dos organismos dotados de autonomia administrativa". O assunto transita para uma comissão parlamentar.
25 de Janeiro de 1979 - É proposta à Assembleia da República a criação do Serviço Nacional de Bombeiros, com capacidade técnica e competência tutelar para apoiar os corpos de bombeiros e coordenar, a nível do sector, as suas diversas actividades.
8 de Fevereiro de 1979 - Aprovada em votação final global a ratificação do Decreto-Lei n.º 388/78.
10 de Março de 1979 - É publicada a Lei n.º 19/79, que cria oficialmente o Serviço Nacional de Bombeiros, "com atribuições de orientar e coordenar as actividades e serviços de socorro exercidas pelos corpos de bombeiros e assegurar a articulação, em caso de emergência, com o Serviço Nacional de Protecção Civil".
29 de Setembro de 1980 – É publicado o Decreto-Lei n.º 418/80, elevado a Lei Orgânica do Serviço Nacional de Bombeiros. Antes, porém, em 9 de Julho, surge o Decreto-Lei n.º 212/80.
No seguimento da publicação dos dois decretos, o Padre Dr. Vítor Melícias Lopes, ao tempo Presidente do Conselho Administrativo e Técnico da Liga dos Bombeiros Portugueses, cessa funções para assumir, a convite do Governo, a presidência do Conselho Coordenador do Serviço Nacional de Bombeiros.
A legislação entretanto publicada não só tem a vantagem de lançar as bases legislativas e administrativas do sector dos bombeiros como soluciona problemas pontuais de maior impacto: imposto de transacções, subsídios para quartéis, seguros e participação em combustíveis.
Há confiança no futuro, perante as novas possibilidades. Salda-se, como positivo, o esforço despendido nos congressos realizados desde 1970.