NÚMEROS DO CONGRESSO: 1 tema geral - "Fomento e Valorização do Voluntariado"; 16 teses; 300 congressistas; 4 delegações estrangeiras (Alemanha Federal, Bélgica, Espanha e França); 2 listas candidatas aos corpos gerentes da Liga dos Bombeiros Portugueses; Mais de 2 mil bombeiros e duas centenas e meia de viaturas no desfile de encerramento (80 ambulâncias e duas centenas de viaturas de incêndio e de socorro a náufragos).

Sessões de Trabalho



"O Congresso deve constituir uma jornada de resultados úteis."

"É que em Aveiro ou se faz bem ou não se faz nada."

Dr. David Cristo,
Presidente da Comissão Central 
In O Comércio do Porto,
quarta-feira, 9 de Outubro de 1970






Na foto:

Ao lado: O Dr. David Cristo lendo as conclusões do Congresso, na última sessão de trabalhos

Em baixo: Eng.º Lourenço Antunes, Presidente da Direcção e Comandante dos Bombeiros Voluntários de Campo de Ourique, e António de Moura e Silva, Presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses


As sessões de trabalho do Congresso decorreram nos dias 10, 11 e 12 de Setembro, no Salão Municipal de Cultura,  num clima de ampla participação e reflexão crítica, concorrendo para o efeito a ousadia de algumas das teses apresentadas pelos congressistas.

Pelo seu sentido de oportunidade, destacou-se a tese do Dr. David Cristo, intitulada "Palavras com vista à criação de um organimo superior e autónomo", cuja apresentação motivou, a dado momento, o abandono dos trabalhos por parte do Inspector de Incêndios da Zona Sul, Coronel Rogério Cansado, facto o qual não passou despercebido à reportagem do jornal Comércio do Porto, realçando-o em caixa.

"Trata-se de uma grande manifestação nacional que, para além dos tradicionais e louváveis aspectos de confraternização e camaradagem - apanágio, aliás, dos contactos entre todos os bombeiros - se antevê como decisiva uma renovação desejável (e indispensável!), a bem do País". Era esta a motivação de uma boa parte dos congressistas que haviam rumado a Aveiro, traduzida nas palavras do Dr. Lúcio Lemos, em artigo publicado no jornal Litoral, a 1 de Maio de 1970, periódico que, mais tarde, no dia 11 de Julho, noticiava: "Há problemas graves a trazer a lume no decurso do Congresso, de cuja solução dependerá o fortalecimento do voluntariado".

A intensidade com que os trabalhos decorreram, nomeadamente a divergência de pontos de vista verificada nos períodos subsequentes à apresentação das teses, implicou, com alguma frequência, a intervenção do Presidente dos Congressos, Eng.º Russo Belo, e do Presidente do Conselho Administrativo e Técnico (CAT) da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), António de Moura e Silva, produzindo ambos vários esclarecimentos.

O jornal Comércio do Porto,  referindo-se a António de Moura e Silva, regista que "este várias vezes afirmou que, ao longo de 20 anos, sempre pugnou para que ao voluntariado se dêem regalias a que o mesmo tem direito e se satisfaçam as suas prementes necessidades, necessidades que são de todos nós, pois o bombeiro trabalha para o bem da colectividade e do País, mas que as barreiras têm sido sempre intransponíveis, esperando que deste Congresso algo de muito concreto e objectivo possa sair para a honra do bombeiro português".

Na última sessão do Congresso, destinada à apreciação e votação das conclusões a apresentar ao Ministro do Interior, os legítimos representantes dos bombeiros portugueses aprovaram, por aclamação, entre outras outras, a proposta consubstanciada na tese do Dr. David Cristo, que mais tarde veio dar origem à criação do Serviço Nacional de Bombeiros:

"Que o Congresso - 70 defira à Liga dos Bombeiros Portugueses a incumbência de elaborar um relatório a apresentar superiormente, em que se justifique e solicite a criação, a nível dos altos comandos nacionais, de um organismo específico, autónomo e permanente, com directa jurisdição na organização e dinâmica dos bombeiros portugueses."

Sobre este momento, cita o jornal Litoral, de 19 de Setembro de 1970, que "as conclusões e propostas, todas aprovadas por unanimidade (apenas algumas com ligeiras alterações) e depois ratificadas todas por aclamação, foram, desta vez, entregues em mão ao ilustre titular da pasta do Interior, na plena confiança de que o dinâmico homem público irá diligenciar por concretiza-las: trata-se da expressão, muito válida até porque muito ponderada, do pensamento dos bombeiros de Portugal".



Eleições da Liga dos Bombeiros Portugueses
para o biénio de 1971-1972

Ainda na última sessão ocorreram as eleições para os corpos gerantes da LBP.

Havia sido previsto um "render da guarda", a avaliar pela mensagem do Presidente do CAT, publicada no Boletim Comemorativo do Congresso, mas tal não veio a acontecer. Escreveu, então, António de Moura e Silva:

"(...) para além de tudo, há um 'render da guarda' consubstanciado na eleição dos dirigentes que hão-de ficar com o encargo de nos representar a todos, e dar, com a sua presença, um sinal de vivência em todos os Corpos de Bombeiros, que, no espaço português, alimentam e dão vida à missão mais generosa e cristã que se conhece.
Havemos todos de escolher bem, dando a nossa confiança, aplauso e incentivo aos eleitos, para que se sintam amparados e prossigam e ampliem o que já foi feito em prol do Voluntariado."

Apresentaram-se a sufragio duas listas: a considerada oficial e outra de oposição, surgida "surpreendentemente", refere O Comércio do Porto.

A primeira constituída pelo Eng.º Lourenço Antunes (Conselho Administrativo e Técnico), Dr. Francisco do Vale Guimarães (Mesa dos Congressos) e Comandante Cara Nova (Conselho Fiscal), e a segunda por António de Moura e Silva (Conselho Administrativo e Técnico), Eng.º Russo Belo (Mesa dos Congressos) e António Amorim (Conselho Fiscal).

Venceu a segunda lista, sendo apurados os seguintes votos:

Conselho Administrativo e Técnico - 69-42
Mesa dos Congressos - 63-58
Conselho Fiscal - 77-54

Também surpreendentemente, o Boletim da Liga dos Bombeiros Portugueses, no desenvolvido relato sobre o Congresso, omite a situação vivida, anunciando somente: "Reeleitos os Corpos Directivos da Liga". Este título, paginado em caixa, é acompanhado dos nomes dos vários titulares.